A música Numb, da banda Linkin Park, é praticamente um retrato psíquico do que acontece quando o sujeito deixa de sentir a si mesmo para sustentar o desejo do outro.
Na psicanálise, isso toca diretamente na formação do “eu” a partir do olhar externo. Desde cedo, somos atravessados por expectativas: família, sociedade, padrões. E, muitas vezes, para sermos aceitos, vamos nos afastando do que realmente somos.
“I'm tired of being what you want me to be” não é só uma frase, é um grito do inconsciente.
O “numb” (entorpecido) representa esse estado em que o sujeito já não consegue mais acessar o próprio desejo. Não é que ele não sinta, é que sentiu demais por tanto tempo, sem poder expressar, que acabou se anestesiando.
Para Jacques Lacan, o desejo do sujeito é sempre atravessado pelo desejo do Outro.
E o sofrimento começa quando a pessoa passa a viver exclusivamente para corresponder a esse Outro, perdendo a própria referência interna.
A música mostra exatamente esse ponto de ruptura:
quando a adaptação vira sufocamento.
O eu tenta corresponder…
mas o corpo, a mente e o afeto começam a falhar.
E aí surge o vazio, a irritação, a sensação de não ser ninguém, ou de ser apenas uma versão moldada.
O mais potente em Numb é que não é só sobre dor, é sobre limite.
É o momento em que o sujeito, mesmo entorpecido, começa a perceber:
“Eu não aguento mais não ser eu.”
E, na psicanálise, esse é o início de algo importante, porque reconhecer isso já é o primeiro passo para sair desse lugar.
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